Monday, October 30, 2006

O software livre

Este é um tema que se tem vindo a infiltrar no meu subconsciente como algo que não posso ignorar e sobre o qual sinto necessidade de formar , não apenas uma opinião (que já vem há muito a ser formada e é de todas as formas parcial) mas também um fundamento para a minha opinião visto mexer com o conceito do meu futuro ganha-pão e até ao momento , apesar de sentir ser a atitude certa, não ter bem certeza de ter argumentos fortes para oferecer aquando de uma exposição dessa opinião.

Por partes:

O estado actual do open source - prefácio:

    O movimento Open Source , em português Código Aberto (a defenição cabe a vocês, meninos mais interessados em descobrir por vós próprios. No entanto avanço que, muito por alto, é software com uma licença de utilização que não só permite o uso livre como a alteração e re-distribuição deste mesmo código), tem tido o benefício de uma exposição e consequente crescimento esplendidos nos últimos anos , dispondo neste preciso momento de um espólio de software invejável , percorrendo todas as plataformas de hardware possíveis (digo possíveis porque certos fabricantes recusam-se a colaborar com a comunidade) e quase todas as plataformas de software. É portanto, neste preciso momento, possível executar (número atirado ao ar) 95% das tarefas previstas para um computador apenas com software aberto/livre. Existem até um montão de Sistemas Operativos (tão a ver o windows? pensem no Macintosh da Apple e no seu MacOS X) opensource que permitem á grande maioria da população fácilmente aceder a este mundo livre, de graça e com acesso a comunidades de utilizadores online que promovem a participação e a entre-ajuda. Se quisermos apoio comercial (linha de atendimento telefónico, duvidas por email com profissionais da area) também há a pontapé. Se queremos aprender, meus amigos, não precisam de procurar mais. Na minha opinião nenhum informático que se leve a sério, pode sequer pensar em dispensar esta mina de diamantes de informação com documentação para e sobre tudo (se bem que umas vezes mais pobre que outras). Normalmente tem-se como referência de mercado a RedHat que faz disto negócio, mas para quem está mais dentro é só dar uma olhadela na barra lateral direita do DistroWatch, onde se encontra um top 100 de "distribuições" baseado em clicks no próprio site. Estas distribuições vão desde clones muito similares até sistemas operativos dedicados a tarefas extremamente específicas, e passando por todos os cheirinhos no intermédio.

    Como outros exemplos de projectos opensource temos o Firefox e o OpenOffice.org que oferecem alternativas a programas para o mesmo efeito que são proprietários e que "vêm com o PC" (são pagos mas as pessoas não sabem).

    Houve pela parte de orgãos públicos europeus a decisão de optar por uma via de acessibilidade que impõe aos orgãos estatais a utilização de formatos de documentos livres. Isto em miúdos significa que o .doc e o .xls e o .ppt que são formatos proprietários da Microsoft ou passam a ser abertos (a especificação feita pública, acessível e não serem necessárias taxas para a sua implementação em software de terceiros) ou deixam de poder ser utilizados entre departamentos (e supostamente intra-departamentos também mas isso n há quem imponha suponho). Segundo entendo da situação actual, foi adoptada a segunda hípotese e quem teve que ceder foi a Microsoft sendo obrigada a fazer o seu software de Office "trabalhar" com outros ditos formatos abertos.

    Foi também criada uma iniciativa a nível europeu chamada IDABC: Open Source Observatory que tem como objectivo a promoção do uso e desenvolvimento de software livre.

    Estes desenvolvimentos levam-nos a concluir que há uma clara caminhada no sentido dos standards e da adopção do software aberto/livre (pelo menos na europa) de uma forma mais generalizada e aceite (incentivada até) pelo governo.

    Ora então temos que nos perguntar, será que o software, que de momento é uma industria que envolve milhões e milhões de euros/dollars/rupias/yens e com tendência para aumentar, tem algum jeito de ser grátis/livre ?

O problema da perspectiva comercial - formatos de negócio :

    O software, nem sempre foi um produto, empacotado e vendido em lojas, ou distribuido pela internet e pago por cartão de crédito ou paypal. Houve uma altura em que o software era um serviço. Um cliente abordava uma empresa e dizia "Eu tenho um computador. Eu preciso dele para calcular as margens de riscos para a minha seguradora." e a empresa de software la ia, fabricava o software, testava-o , colocava-o na maquina e estava sempre lá quando havia problemas ou necessidades de alteração. O código era do cliente, ele tinha-o comprado, ele deveria poder fazer o que quisesse com ele. Levar este código a outra empresa não fazia muito sentido visto eles precisarem de uma margem de tempo enorme para se inteirarem do sistema actual e isto envolvia obviamente custos, portanto era visto como óbvio que qualquer alteração ao código , se necessária seria feita pela mesma empresa e caso esta deixasse de existir, então sim, seria procurada outra empresa para continuar o trabalho.

    Este é um modelo orientado a serviços em vez de venda de um produto. Este modelo permite, no mundo de competição em que vivemos, por exemplo, optar entre provedores desse mesmo serviço que mais nos convenham seja porque razão for, ou poder recorrer a diversos provedores para diferentes partes desse serviço ou para diferentes períodos da vida desse software. Muitos vêm este modelo como incoerente e impraticável mas a verdade é que , tendo com o exemplo a Redhat ou muitas outras, muito boa gente faz a sua vida (e fortuna) com software opensorce.

    Outras razões existem para que se faça software opensource. Uma das que mais me toca como lógica é a sua base na forma de trabalhar das esferas cientificas. Na ciência, todo o trabalho de investigação desenvolvido passa por aprovação de outros cientistas e colegas conhecedores da área. É visto como algo essencial para que a ciência progrida e prospere. Sem isto, não é valida pois não é corroborada por outros.



A minha opinião - a minha argumentação e alguma divagação :


    Porque é que este outro modelo existe e faz sentido, no nosso contexto social actual?

    Porque cada vez mais é inegável a nossa dependência destas máquinas e do que elas nos proporcionam. Serviços que não imaginamos que existem sequer, fazem a nossa sociedade actual sobreviver e crescer e não só permitem como provocam o seu desenvolvimento tendo esta dependência como base. A computação cada vez mais, é um dado adquirido. Basta-nos olhar e ver a forma como nos é dada a hipótese de submeter os nossos impostos pela web, de consultarmos e movimentarmos as nossas finanças online, de interagirmos e conhecermos culturas da outra ponta do globo. Não se trata apenas de naves espaciais mais económicas em combustível ou de anvançar aquela ciência que é algo inatingível que se faz em laboratórios e se vê na tv. É necessidade muito actual e que toca a cada vez mais pessoas.

    Tendo em conta este contexto, e a previsão de que isto só irá aumentar com o tempo, faz todo o sentido que a computação seja tornada, para além de obrigatória, aberta e acessível a todos, pois não faz sentido exigir-se algo de todos , que apenas alguns têm o poder aceder.

    Preocupei-me com esta questão antes de a compreender melhor, e neste momento apenas vejo promessas de um futuro risonho, tanto para mim como entusiasta e como profissional, como para a humanidade em geral que está na berma de um salto sócio-tecnológico significativo e que nos irá marcar para sempre.

    Como quase tudo no nosso mundo, existe espaço para que se aborde ambas as perspectivas de negócio. O Software como produto já não desaparece e continuará a movimentar milhões, mas na minha mente, nunca fez tanto sentido a promoção e criação de software livre.

As Good As It Gets

Vi ontem o As Good As It Gets. Este filme tem um pequeno espaço reservado no meu coração. A história é simples mas os momentos estão extremamente bem conseguidos, os pormenores são muito bem elaborados e os actores estão todos no seu melhor. Sempre que o apanho na televisão não consigo deixar de o ver. O Jack Nicholson faz papel de um cinquentão que é Obsessivo-Compulsivo (em inglês). Não posso deixar de me identificar um bocado com a personagem mas tenho esperança de ainda vir a esquivar-me a tornar-me como ele quando chegar àquela idade... de ser completamente lunático não me safo, mas disso já não tenho qualquer esperança :D

Tuesday, October 24, 2006

Como pequeno update:

Descobri que a Susanna Clarke lançou mais um livro dentro do mesmo universo que Jonathan Strange & Mr Norrell chamado The Ladies of Grace Adieu. Prontamente o encomendei pela Amazon.co.uk juntamente com uma cópia em Inglês do JS&Mr.N e uma colecção de short storys do Neil Gaiman, tudo mais ou menos baratinho :D mais sobre isto quando chegar.

Good reading


PS: "roubei" de um amigo na aLANtejo06 The Cat empire. É agradável :) recomendo para quem gostar de ritmos latinos e quiser uma ensaboadela de world music up-beat.

é bom na é? fezzkinhoooo!

Este fim de semana foi marcado por chuva, jogos, computadores, um ferrari (e alguns porches) , algumas conferências , chuva e talvez , eu diria, um pouco de álcool.

Gostei imenso da aLANtejo apesar de não ter participado muito activamente (excepto talvez no fim em que o grupo da Ualg foi algo extrovertido. "Vodka? São Suecos ou vã desinfectar uma ferida? fez dódói foi bébé?"). Infelizmente só descobri que havia um concurso de programação e um de segurança ás 5 da manhã de Sábado e o fim dos ditos era ao meio dia de Domingo. Da próxima não se escapam :D

A programação era na forma do Robocode. Nunca me meti nisto mas pelo que vi, é simplezinho e pode ser bastante competitivo. A ver se se consegue uma participação para o grupo da Ualg para o próximo ano (que já tem presença garantida :P ).

Alguns dos elementos do grupo estiveram muito bem: O David que ficou em 3º lugar no torneio de Bomberman e foi ás semi-finais do torneio de Worms Armageddon; o Samji cujo clã ficou em 2º no torneio de MOHAA, e o Duro que ganhou um gamepad por sorteio aleatório :P

Digamos que a passagem da Ualg pela aLANtejo não passou despercebida :)

Noutras coisas , a ualg também obteve uma menção honrosa por na sua primeira participação na MIUP se ter posicionado entre os Top10 (ficaram em 9º) e assim estarem qualificados para a SWERC.

Bem tinha montes de lixo que queria mostrar aqui mas penso que perderam o momentum. É uma lição a não esquecer. As coisas só fazem sentido nos momentos adequados :P

Cheers e até outra altura.